01 agosto 2013

Pela janela do ônibus


Olhava pela janela do ônibus e me perguntava por que estava tão triste. Há alguns dias me sinto melancólica e sem vontade de fazer nada, e nesses dias, sem nenhuma razão, adorava andar de ônibus. Ver as pessoas indo para o trabalho ou voltando para suas casas me faz bem, ter companhia as vezes é bom. Uma pessoa solitária como eu, vez em quando precisa de contato humano.

Desde criança adorava andar de ônibus, eu via tudo como uma grande aventura, eu via o mundo tão colorido. Esse é o problema de nós seres humanos, quando crescemos deixamos de ver o colorido do mundo e passamos a enxergá-lo preto e branco, vemos apenas os problemas e só pensamos em estudar para trabalhar e ganhar dinheiro para que um dia, que quase sempre é tarde demais, possamos aproveitar a vida do jeito que sempre desejamos. 

Quando crianças só pensamos em nos divertir e não precisávamos de um real para isso. Ficávamos na rua brincando e chagávamos em casa sujos, machucados e extremamente felizes, mas o tempo vai passando e chega um momento que a única coisa que desejamos é crescer, porque pensamos que ser adulto vai ser a coisa mais fantástica que acontecerá em nossas vidas e não percebemos essa coisa fantástica é ser criança. É chegar em casa chorando e pedindo o colo de nossos pais porque ralamos o joelho e não porque um babaca quebrou nosso coração. É ficar com dor de cabeça por ter tomado um monte de sorvete e não por ter enchido a cara tentando esquecer os problemas. É achar que ficou rico quando te dão dois reais e não ver seu salário que você ganhou quase se matando de tanto trabalhar ser consumido pelas contas que vencem todo mês.

Refletindo e olhando pela janela do ônibus, descobri que estava triste porque o momento mais feliz da minha vida já tinha passado e agora só restaram os problemas, as contas a pagar, e para não perder o costume, um coração partido. 


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