Aquele tal de João que sentava na primeira fileira da minha turma, sempre alegre e brincalhão, a vida para ele era um show de stand up comedy. Aos pouco ele foi se aproximando de mim, a garota que sentava no fundão e que nunca falava com ninguém e que sempre sofria quando alguém fazia alguma pergunta sobre sua vida pessoal. Ele foi chegando meio tímido e puxando assunto aos poucos, e assim, devagarinho, nos tornamos inseparáveis. Todos comentavam como éramos próximos e como nos dávamos bem, sempre achavam que talvez rolasse um climinha, e quer saber, eu também achava isso.
Foi assim, brincadeiras, confissões, segredos, confusões e risos o semestre todo, até que chegaram as férias. Normalmente eu ficaria feliz, mas não foi o que aconteceu. Pelo contrário, me desesperei ao saber que teria que me separar de João por um mês. É difícil se separar de um grande amigo, mas não era apenas isso, ele não era apenas um amigo, não para mim, talvez não para ele e nem para ninguém. estava mais que na cara que havia algo mais, eu sentia algo mais, e alimentei esse sentimento, mesmo com aquela vozinha chata na minha mente me dizendo para parar enquanto dava tempo, parar antes que eu me machucasse.
É sério, quando aquela vozinha falar com você, obedeça! Ela sempre sabe o que diz, é como conselho de mãe nos mandando levar um casaco que vai fazer frio, pode estar fazendo um calor de 40 ºc, mas parece praga, a gente nunca dá ouvidos e de repente começa a nevar! Acho que vocês já adivinharam o que aconteceu. Isso mesmo, me machuquei. Mas não foi por ele ter ficado com outra, ou ter dito que não gostava mais de mim. Ele simplesmente não me disse nada, nem uma palavra, nem um olhar, nem sms, nem nada. Agora sou como uma completa estranha para ele, e sem justificativa nenhuma. Aquele tal de João,
aquele pelo qual me apaixonei. Aquele tal de João, que feriu meu coração.

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