Ela saía de casa todos os dias às 07:45 da manhã. Publicitária, não, a melhor publicitária da empresa. Sempre criativa, nunca chegava atrasada, entregava seus projetos adiantados. Não era à toa que os melhores trabalhos eram entregues à ela. Tinha quase quarenta anos, nunca estava de mau humor, nem naqueles dias, enfrentava sua rotina sempre com um sorriso no rosto. Aparentemente, para quem a visse pela primeira vez, era uma mulher feliz, se não fosse por um pequeno detalhe: estava solteira.
Seu trabalho era excepcional, mas não era isso que seus colegas comentavam. Era assunto de fofoca na empresa, todos riam dela por não ter ninguém, diziam que provavelmente os únicos machos que dormiam em sua cama, eram seus dois gatos. Até a estagiária esquisita já tinha pegado alguém, e ela nada. Mas ela não se importava com os comentários, estava confiante com seu trabalho e isso era o que bastava.
Todos os dias, voltava para casa às 19:30. A Avenida XV de Novembro, sempre movimentada, com seus bares, tráfego, prostitutas, bêbados e muita gente que ela nem conhecia, mas que toda vez que ela passava, desviavam os olhares para ela. Os homens se perguntavam como uma mulher tão bonita podia estar sozinha, e as mulheres diziam que ela não era tudo isso, ou a velha frase, sorte nos negócios, azar no amor.
Ninguém sabia o motivo dela estar sozinha, e nem à quanto tempo estava assim. Ninguém nunca perguntou, nem ela tinha vontade de falar, e apesar de tudo, eles tinham razão, os único machos que dormiam na cama dela eram seus gatos, e um porta-retrato com a foto de seu casamento que ela abraçava e chorava todas as noites, afinal, a solteirona da XV de Novembro, era na verdade a viúva da XV de novembro.

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