Sentada na frente de um computador antigo comendo pipoca e engordando o máximo que posso. Não foi isso que imaginei estar fazendo numa tarde de domingo. Queria pegar meu celular e ligar para alguém, mas ele está tão longe que prefiro nem me levantar. Fico pensando no que jovens normais estão fazendo neste exato momento, jogando vídeo-game com os amigos, ou quem sabe uma pelada no campo da esquina? Com certeza não estão perdendo tempo olhando para a tela de um computador.
Nunca fui a garota popular da escola, muito menos da faculdade. Nunca fui a mais bonita, nem a mais esperta e nunca chamei a atenção dos garotos. Sempre fui a estranha que gosta de rock e de livros antigos, a que escolheu um futuro incerto como professora de filosofia em vez de uma carreira brilhante como administradora ou o glamour do mundo da moda. Moda? Quem se importa com isso? Todas as garotas da minha idade, menos eu.
Sempre fui considerada aquela em que você pode confiar e contar todos os seus segredos, e aquela que vai te ajudar quando você precisar, mas sempre será só isso, nasci apenas para dar e nunca receber. Sou aquela que vai ficar calada quando o que mais deseja é gritar desesperadamente por socorro, nessa hora vou apenas sorrir e fingir que é apenas mais um dia comum. E o que o destino me preparou? Agora sentada em frente a esse velho computador, percebo que nada, que o meu futuro sempre vai ser assim, vazio e solitário.

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