É nesses dias que me lembro de você, enrolado em um cobertor com uma xícara de café nas mãos e assistindo um filme tosco. E eu sinto saudade. Coloco seu disco preferido do Chico Buarque e recordo as velhas histórias que você contava, muitas eram completamente sem graça, mas agora sinto falta de todas elas. Olho pela janela e vejo a chuva diluindo a poluição, e o vento faz as árvores dançarem ao som da nossa música e o sol, por trás de uma nuvem tenta brilhar em vão, hoje o dia é dela, tão macia e cinza, hoje o céu é completamente dela.
Tão cinza quanto aquela nuvem está o meu quarto, tão molhado quanto a chuva, está o meu coração, minha mente parece os raios que surgem lá fora, minha cama, antes meu porto seguro, se transformou em caos. Em meio a tanta confusão, o velho disco ainda toca aquela canção que costumávamos dançar, talvez nem tão bem quanto as árvores, mas fazíamos da sala nosso salão de baile, e assim passávamos os dias chuvosos, o mundo caindo lá fora, um paraíso aqui dentro.
Hoje a tempestade cai aqui dentro, dentro da casa, do quarto, do nosso salão de baile, de mim. A chuva não pára, os ventos ficam cada vez mais fortes e os raios e trovões são a única música que ouço. Antes o rádio que estava sempre ligado, perdeu sua vida, aquela velha canção já não toca mais, somente as árvores dançam ao som da tempestade, e em meio ao meu caos, tento pegar no sono. A noite vai ser longa.

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