29 outubro 2012

Resenha: A Menina que Roubava Livros

Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler. Entre 1939 e 1943, Liesel Meminger encontrou a Morte três Vezes. E saiu suficientemente viva das três ocasiões que a própria, de tão impressionada, decidisse nos contar sua história, em A Menina que Roubava Livros, na lista dos mais vendidos do New York Times.

Em algum lugar, em toda aquela neve, ela via seu coração partido em dois pedaços. Cada metade luzia e pulsava sob a imensa branquidão.


Liesel viveu sua infância na rua Himmel, numa área pobre de Molching, cidade próxima a Munique onde foi deixada aos cuidados de Hans e Rosa Hubermann horas depois de ver seu irmão morrer nos braços de sua mãe. Ela trazia consigo O manual do Coveiro, primeiro de vários livros que ela roubaria durante os próximos quatro anos. Livros que ela tomaria como base para seguir sua vida, na Alemanha modificada diariamente pela guerra.

Liesel encontrou em seu vizinho Rudy Steiner, uma sólida amizade e em Max Vanderburg, o judeu escondido no porão uma amizade invisível, na qual ela jamais falaria. Hans e Rosa Hubermann deram todo o sustento familiar do qual ela precisava, e seu pai de criação, um ótimo acordeonista foi quem a ensinou a ler.

"O ser humano não tem um coração como o meu. O coração humano é uma linha, ao passo que o meu é um círculo, e tenho a capacidade interminável de estar no lugar certo na hora certa. A conseqüência disso é que estou sempre achando seres humanos no que eles têm de melhor e de pior. Vejo sua feiúra e sua beleza, e me pergunto como uma mesma coisa pode ser as duas. Mas eles tem uma coisa que eu invejo. Que mais não seja, os humanos têm o bom senso de morrer"

Dentre tantas aventuras Liesel também encontrou uma amiga inesperada  a esposa do prefeito que permitia que ela lesse em sua biblioteca particular, de onde A Menina que Roubava Livros cometeu vários de seus crimes. Depois de tantas tragédias, principalmente a ocorrida na rua Himmel, a Morte, narradora da história de Liesel, ficou impressionada com a coragem da garota, e anos depois lhe mostrou algo que guardou da última vez que elas se encontraram. Só quem esteve ao seu lado sempre e testemunha a dor e a poesia da época em que Liesel Meminger teve sua vida salva diariamente pelas palavras, é a nossa narradora. Um dia todos irão conhecê-la. Mas ter a sua história contada por ela é para poucos. Tem que valer a pena.

Um livro impressionante e de uma sensibilidade incrível para com as palavras. Markus Zusak ultrapassou minhas expectativas a respeito desta maravilhosa obra, e apesar de fatos importantes serem revelados no decorrer da história e fora de seu tempo de acontecimento, em nenhum momento a narrativa perdeu seu brilho. Afirmo com certeza que esse foi o melhor romance que já li, e penso que nunca, nenhum outro conseguirá superar A Menina que Roubava Livros.

Beijos,
Mandy.

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